Gestão de Riscos – Um exemplo de má gestão

O Estado do Rio de Janeiro passa, segundo informado pela mídia, o pior momento de sua história. Mais de 200 mortos, municípios com suas atividades praticamente paradas há pelo menos 3 dias. Por enquanto é praticamente impossível calcular o prejuízo do Estado e dos municípios a prioridade é sempre a vida e assim deveria ser quando as ameaças são claras e se transformam em risco potencial. Muitas perdas humanas e materiais que vemos nos noticiários poderiam ter sido evitados se não fosse à incapacidade de gestão de riscos dos governantes seja por incapacidade intelectual e técnica, negligência, vaidade política ou verba; talvez tudo isso junto.

O primeiro prefeito de Niterói a conviver com a ocupação no Morro do Bumba foi Valdenir Bragança, seguido de Jorge Roberto da Silveira em 1989 e atual prefeito; posteriormente seu sucessor e o retorno de Jorge Roberto. Nenhum destes gestores do bem estar público atuaram no problema, sendo que a partir de 1996, pioraram a situação com criação de escolas e obras públicas.

Em 2002 ocorrem dois incidentes, um desabamento no morro que gera um laudo da UFF informando a presença de gás metano no morro e a mudança de gestão para Godofredo Pinto que parece visualizar um possível risco e encomenda um estudo da área a UFF. O estudo foi entregue, segundo a coordenadora do Núcleo de Estudos e Projetos Habitacionais e Urbanos (Nephu) da UFF, em 2004. Mas a gestão da época não realizou ações e pelo que tudo indica não saiu do estudo de planejamento finalizado em 2007, talvez pela necessidade da verba aproximada de 19 milhões de Reais para todo o município. Mas um ponto é fato consumado: foi confirmada a existência do risco.

A administração que substituiu a solicitante do laudo não deu continuidade ao trabalho por motivos que não foram, até o momento, esclarecidos. Infelizmente, a resposta do atual prefeito quando questionado em entrevista em jornal televisivo deu entendimento de que o documento (laudo e planejamento da UFF) fora entregue na gestão passada e foi erro daquela administração e não da dele.

Se um gestor é desligado ou realocado é OBRIGAÇÃO da nova gestão tomar conhecimento de todas as atividades executadas pela antiga administração. O mesmo vale para a administração pública, principalmente no que tange a população que é seu maior cliente. É muito fácil culpar administrações passadas sobre problemas financeiros, mas quando o assunto são vidas, estas têm prioridade máxima na cadeia de risco devido à magnitude do impacto gerado caso o risco se concretize em incidente – situação do Morro do Bumba.

Caso as ações previstas no “Plano de Prevenção de Riscos” elaborado em 2007 estivessem em andamento, e os maiores riscos em tratamento iniciado em paralelo com a conscientização da população, planos de gestão de crise e de comunicação elaborados e em execução dentro da prefeitura, talvez esta tragédia pudesse ter sido evitada.

Fontes:
http://noticias.br.msn.com/especial/chuvas/artigo.aspx?cp-documentid=23832847
http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1562723-5606,00-ESPECIALISTAS+RECOMENDARAM+DESOCUPACAO+DO+MORRO+DO+BUMBA.html
http://www.noticiaslusofonas.com/view.php?load=arcview&article=26156&catogory=Brasil

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